|
Um
conservador de vanguarda
Fundado
em 17 de julho de 1928 por José Eduardo de Macedo Soares, o
Diário Carioca foi um dos mais influentes jornais do País e o
responsável pela modernização técnica da imprensa brasileira.
Introduziu o
lead nas matérias, criou o copidesque e lançou o primeiro
manual
de redação jornalística. Com o surgimento de Brasília, foi o
primeiro jornal diário a circular no Distrito Federal.
Verdadeira
usina de talentos, abrigou grande parte de nossos melhores jornalistas,
até fechar, em dezembro de 1965. O jornal ficava na Av. Rio Branco nº
25, próximo à Praça
Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. A redação ocupava uma sobreloja, e
a oficina, o térreo e o subsolo.
Novo
estilo
A reforma do estilo da imprensa brasileira começou na década de 1950
no Diário Carioca, de forte tradição política e orientação conservadora. Lá, dois professores do curso pioneiro de jornalismo que funcionava na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil - Danton Jobim, o catedrático, e Pompeu de Souza, seu assistente - arregimentaram um grupo de jovens, vindos quase todos de diferentes cursos universitários, para introduzir no Brasil as técnicas de redação originalmente desenvolvidas nos Estados Unidos e que já se haviam generalizado nos países desenvolvidos.
Do Diário Carioca a nova maneira de redigir migrou - na verdade, foram os redatores que migraram -
, para o Jornal do Brasil, veículo tradicional (fundado em 1891, com orientação monarquista) que se decidiu a fazer uma reforma editorial. Lá, no final da década de 50 e nos primeiros anos da
década de 60, o estilo de texto se fixou, associando-se a uma nova estética gráfica, de matriz construtivista.
|
O Diário Carioca foi um jornal tecnicamente revolucionário, que terminou com o lero-lero das reportagens
intermináveis em que a estrela era o repórter, e não o assunto.
(Paulo Francis) |
Só no início da década de 70 os outros grandes jornais do Rio de Janeiro (como O Globo) e de São Paulo (O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo) - logo seguidos pela imprensa de todo o País - adotariam algumas das normas de redação lançadas pelo Diário Carioca
e fixadas no Jornal do Brasil.
Em São Paulo, a mudança dos métodos e critérios do jornalismo havia começado, no final da década de 60, com uma revista mensal ambiciosa e muito bem editada, Realidade. Para a mudança nos jornais, foram feitas algumas experiências, a começar pelo vespertino de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, que dava às matérias noticiosas estilo inspirado no dos magazines.
A incorporação do novo modo de escrever ao noticiário tradicional fez-se aos poucos, com a preocupação de copiar rigorosamente modelos americanos, de modo que algumas das criações mais originais do Diário Carioca não chegaram ou demoraram a chegar à imprensa paulista.
O
que mudou
Foram características da reforma do Diário Carioca:
-
a adaptação do lead - primeiro parágrafo da matéria impressa, onde consta o fato principal ou mais importante de uma série, tomado por seu aspecto principal - à língua portuguesa evitando, por exemplo, o estilo uma proposição por período, que é ainda hoje norma imposta na Folha de São Paulo, e dá aos textos aspecto telegráfico, de leitura cansativa. Para isso, foram consultados outros modelos de adaptação, principalmente dos jornais ingleses e franceses;
- a incorporação progressiva de usos propostos, na literatura, pelos modernistas de 1922, para aproximar a escrita da fala corrente brasileira. Nessa linha, as pessoas deixaram de morar
à Rua X para morar na Rua X. Os tratamentos tornaram-se menos cerimoniosos; passou-se, aos poucos, a escrever o nome das pessoas sem a precedência de um título - senhor, senhora, doutor, excelência, dona e, para os desqualificados, indivíduo. Os redatores do Diário eram leitores constantes de autores modernos, particularmente de Graciliano Ramos, cujo estilo enxuto tomava-se como modelo.

É
interessante comparar os style books - manuais de redação - do Diário
e dos jornais atuais. O
manual
escrito em 1950 por Pompeu de Souza, é um documento sintético, até
porque produzido por quem iria gerir sua aplicação. Contém algumas
concessões ao espírito da época: não se admitia chamar uma mulher
casada, pelo menos as da classe dominante, pelo nome; era necessário
precedê-lo de d. Da mesma forma, o pronome para o Papa não era ele,
mas Sua Santidade, e temia-se que fosse impossível suprimir
inteiramente o Exa do nome de alguns personagens. Esses preceitos
tiveram que ser modificados ao longo do tempo, à medida que a
evolução dos costumes ia permitindo as mudanças.
|
O Pasquim foi uma grande revolução de
linguagem, continuou
a obra do
Diário Carioca. Um jornal inteiro escrito
de maneira
coloquial... (Paulo Francis) |
Dentre os manuais lançados por empresas que editam atualmente jornais
diários, o mais interessante e útil é o Manual de Redação e Estilo
de O Globo, editado por Luiz Garcia. É também o que mais se aproxima
do espírito do style book do Diário Carioca.
Os manuais de redação atuais costumam ser detalhistas, abrangentes e
presunçosos. Misturam orientações técnicas com discursos sobre o que
o dono do jornal pensa do mundo - e nisto se parecem com o manual da
Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda que, na década de 50, imitando o
Diário Carioca, lançou também sua versão - acrescentando
critérios editoriais genéricos, manifestações de princípios e
argumentos de marketing institucional.

O
Diário Carioca (DC-Brasília) foi o primeiro jornal diário a
circular na capital federal, a partir do dia 12 de setembro de
1959, sob a direção do jornalista Elias de Oliveira Júnior.
Inicialmente
sua sede ficava em um barracão de madeira (foto) na 2ª Avenida
da "Cidade Livre" e mais tarde numa sobreloja da quadra
508 da Avenida W-3 Sul, onde funcionava a redação.
Os
textos eram mandados para as oficinas do DC no Rio de
Janeiro, por telex, telefone e pelo último avião, no qual também
iam as fotografias. A edição era impressa durante a
madrugada e o jornal seguia para Brasília no primeiro vôo da
manhã.
(
fontes: web e principalmente o Prof. Nilson Lage,
a quem muito agradecemos )
|
|

>
Diário Carioca
>
O Jornal e
Jornal
do Commercio
|